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História Política

Publicado em 12/02/2015 às 15:00 - Atualizado em 12/02/2015 às 15:01

HISTÓRIA POLÍTICA

Antes de falar de São José do Cerrito é necessário enumerar alguns aspectos que precederam sua fundação, primeiro como Distrito e, em seguida, como Município.

A colonização da região dos Campos de Lajens, hoje Lages, começou no século XIX. Primeiro vieram os bandeirantes paulistas. Lages foi fundada em 22 de novembro de 1766 por Antônio Correia Pinto de Macedo. Vários municípios nasceriam, mais tarde, dos Campos de Lajens, entre eles, São José do Cerrito, que também já foi chamado de Carú.

O Poder Legislativo lageano iniciou suas atividades em 1771, quando o povoado de Nossa Senhora dos Prazeres das Lajens foi elevado a categoria de Vila. No ano de 1889, mais precisamente no dia 7 de dezembro, as Câmaras Municipais de todo o país foram dissolvidas. Para substituí-las foram criados os Conselhos da Intendência Municipal.

São José do Cerrito ainda era Distrito quando a Revolução de 1930 pôs em recesso os Poderes Legislativos. As Câmaras Municipais só voltariam a funcionar dia 1 º de março de 1936, após a apuração das eleições; no entanto, o Golpe de Estado imposto por Getúlio Vargas extinguiu os partidos políticos e fechou o Congresso Nacional. Por um longo tempo o Poder Legislativo, em todas as esferas, deixou de existir e com isso o povo deixou de contar com seus representantes. O Governo Federal detinha todo o poder e decidia os rumos da Nação.

Com a instalação da República Nova, em 29 de outubro de 1945, e com as eleições de 15 de novembro de 1947, conforme estabelecia a Constituição, o sistema político brasileiro ganhou novamente ares de estabilidade. Lages teve sua primeira legislatura instalada em 20 de dezembro de 1947. E então vieram os processos de emancipação dos Distritos, como São José do Cerrito.

Conforme relatou a professora Nelia Giordani Machado, em seu livro São José do Cerrito Sua Gente e Sua História, foi em 1927 que aconteceu a aprovação do Projeto de Criação do Distrito, "com o objetivo de estabelecer uma sede administrativa na região". O prefeito de Lages, naquela época, era Caetano Vieira da Costa que encarregou Aristiliano Ramos e Anacleto da Silva Ortiz a comprarem de Vidal Gregório Pereira uma área de terra de 300 mil metros quadrados para estabelecer a sede do Distrito. Foi necessária a aprovação do bispo da Diocese de Lages, Dom Daniel Hostin. O negócio foi fechado no dia 7 de abril de 1927.

Entre as lideranças envolvidas no processo de criação do novo Distrito destacam-se Anacleto da Silva Ortiz, João Otávio Garcia, Cirilo Antunes Pereira, Dorgelo Pereira dos Anjos, Vidal Gregório Pereira, Sebastião da Silva Ortiz, João Camilo Pereira, Anastácio da Silva Mota e Herculano Pereira dos Anjos. O número de pessoas que lutaram pelos ideais de tornar a região cerritense independente de Lages vai muito além, mas estes são os nomes mais citados quando é promovido um levantamento sobre o movimento empreendido a partir de 1927.

Criar o Distrito foi o passo inicial para, 34 anos depois, a população local reivindicar sua autonomia, empreendendo a campanha pela emancipação político-administrativa de São José do Cerrito.

O final da década de 50 e início dos anos 60 foi decisivo para as pretensões dos cerritenses que não viam a hora de se tornarem independentes do sistema político regido pelos lageanos. Nesse período, a campanha pela emancipação ganhou força e lideranças como Dorvalino Furtado, Leopoldo de Souza Medeiros, Anastácio da Silva Motta, Domingos Valente Júnior e Cézar Araújo Gózz, apoiados por outros membros de destaque na sociedade local, alcançaram o objetivo pelo qual tanto lutaram: a Resolução nº 25, da Câmara de Vereadores de Lages, datada de 27 de novembro de 1961, ratificada pela Lei Estadual nº 779, do dia 7 de dezembro de 1961, ascende o Distrito de São José do Cerrito à condição de Município.

Os cerca de 18 mil habitantes formavam então a população do novo município, instalado oficialmente no dia 30 de dezembro de 1961, às 10h, e teriam corno primeiro prefeito João Severiano Waltrick (Jôra). Ele foi nomeado pelo governador Celso Ramos. Jôra, que antes da nomeação trabalhava no setor de abastecimento de água em Lages, entrou para a história ao exercer, de 30 de dezembro de 1961 a 31 de janeiro de 1963, o cargo de prefeito provisório de São José do Cerrito. Como foi nomeado, em sua gestão não existiu o cargo de vice-prefeito.

A primeira eleição municipal foi realizada em 1962 e o candidato Jonas Corrêa Garcia foi escolhido pelo voto popular para chefiar o Poder Executivo até 31 de janeiro de 1969. Ele governou o município por seis anos, conforme a Lei Eleitoral vigente na época, no entanto, o mandato dos vereadores era menor: quatro anos. A primeira legislatura foi formada por Anastácio da Silva Motta, Ary Heinzen, Alfredo Melo Sobrinho, Lauro Pires de Almeida, Ubirajara de Almeida Vallin, Valdemar Rosa dos Santos e, a grande novidade, o parlamento de São José do Cerrito contaria também com uma mulher: Terezinha Carlesso Agostini.

Como registrou a professora Nelia Giordani Machado, no livro São José do Cerrito Sua gente e Sua História, esse aspecto foi importante numa história política regional marcada por homens. Considerando que ainda hoje a mulher encontra grandes barreiras e preconceitos também no campo político, a eleição de Terezinha Carlesso Agostini para a Câmara de Vereadores se constitui num marco histórico e ponto de apoio na quebra de conceitos e paradigmas em relação a atuação da mulher na sociedade.

 

DE SÃO JOSÉ DO CERRITO A CARÚ

São José foi padroeiro da primeira capela da localidade que leva seu nome, fundada por volta do ano de 1880, e colonizada pelos bandeirantes paulistas. O local é cheio de relevos formados por cerras ou pequenos morros, por isso passou a ser chamado de Cerrito. Esses dois fatores originaram o nome do município. Mas Cerrito também foi "Serrito". Essa curiosidade está registrada no documento que marcou a criação, nos idos de 1901, de uma escola em Matos do Serrito.

Mas o município já teve outro nome. Crenças religiosas e as profecias do Monge da Campanha da Guerra do Contestado, João Maria de Agostinho, teriam sido a causa da mudança de São José do Cerrito para a denominação de Carú, fato que marcou a história da comunidade. O Monge fazia suas peregrinações e pregava na região da localidade de Capela de São José, e anunciou que enquanto o rio chamado Caveiras possuísse essa denominação, suas águas continuariam a fazer vítimas frequentemente. Para "espantar os maus fluidos", os moradores passaram a chamar o Caveiras de Rio Carú, que na etimologia indígena significa "gente forte", "terra fértil" ou, ainda, "terra própria para cultivo".

Depoimentos de descendentes dos primeiros moradores asseguram que havia um caçador que dizimou inúmeros índios. Em troca das mortes, o caçador, identificado como Martin Bugreiro, recebia recompensas. E para comprovar seu trabalho, cortava as orelhas dos mortos e depois jogava os corpos no rio Caveiras, região onde hoje é conhecida como Salto Caveiras. Baseados nessa história e temendo as profecias do Monge João Maria, São José do Cerrito virou Carú.

Mas essa versão não é definitiva. A professora Nelia Giordani Machado obteve informações, relatadas em 2001 por Leopoldo Medeiros, de que correspondências e documentos que deveriam chegar às mãos dos cerritenses foram parar em locais inesperados, como São José (SC), São José do Cedro (SC) e São José dos Pinhais (PR), mas não em São José do Cerrito. Assim, para evitar o desvio de correspondências e documentos, teria acontecido a troca de nome. Não há como comprovar a verdadeira razão, mas o fato é que em 1943 o Distrito de São José do Cerrito, graças a aprovação de uma Lei da Câmara de Vereadores de Lages, ganhou um novo nome: Carú. Porém, "ser do Carú" tornou-se uma expressão pejorativa. Teve início, então, um movimento político e social que convenceu os vereadores e a administração municipal a aprovarem o Projeto de Lei que resgatava o antigo nome. Assim, dia 28 de fevereiro de 1953, a Lei nº 13, assinada pelo prefeito Osni de Medeiros Régis, traz de volta o nome original do Distrito, tornado Município em 1961.